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Ceará tem apenas 1 médico para cada mil habitantes

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Ceará tem, em média, um médico para cada mil habitantesVocê sabia que o estado do Ceará tem apenas 9.362 médicos na ativa registrados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM)? É o que aponta a Pesquisa Demográfica Médica do Brasil divulgada pela CFM, que leva ainda a um indicativo mais preocupante. Tanto o estado do Ceará, quanto a cidade de Fortaleza ocupam uma incômoda posição na média de médico por mil habitantes: a sétima pior entre estados e capitais. A média do Ceará é 1,11 e a de Fortaleza é 2,08.   O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, voltou a afirmar que, proporcionalmente,faltam médicos no país. O Brasil tem um total de 364.757 médicos. Segundo ele, a taxa de profissionais para cada mil habitantes, no Brasil, chega a 1,8. Na Argentina, esse índice é 3,2; em Portugal, 3,9 e na Espanha, 4.

Opinião não compartilhada com o Conselho Federal de Medicina, que publicou sua pesquisa demográfica médica (2011-2013) e afirma em um dos seus volumes que “a conclusão é que não faltam médicos de forma generalizada no Brasil, porém a concentração é desigual”. O relatório do CFM assegura ainda que as tais desigualdades são determinadas pelo mercado, pela concentração de renda, pelas disparidades regionais e, por fim, pela distribuição das especialidades médicas.

“Faltam médicos no Brasil”

“Não é verdade que não faltam médicos no Brasil”, rebate Padilha. “O Brasil tem uma quantidade que está aquém de outros sistemas nacionais públicos”, ressaltou o ministro, que complementa “O Brasil tem poucos médicos e muito mal distribuídos. O Maranhão tem 0,6 médico por mil habitantes e Brasília tem 6. O número de vagas de medicina também é mal distribuído”.   Durante audiência pública na Câmara dos Deputados, Padilha defendeu as medidas anunciadas pela pasta, em parceria com o Ministério da Educação, que incluem o estímulo à entrada, no sistema de saúde brasileiro, de médicos com formação no exterior e a abertura de vagas de cursos de medicina em locais onde há carência de profissionais.

Diplomas estrangeiros

Ainda segundo o ministro, 25,9% dos médicos que atendem a população norte-americana, por exemplo, não são formados nos Estados Unidos. Na Inglaterra, o índice chega a 37%; na Austrália, 22,8%; no Canadá, 17,9%; e no Brasil, 1,8%. Esse número representa que 7.881 médicos formados no exterior estão em atividade no Brasil (o número um é a Bolívia, com 880 formandos) e desses, 168 médicos formados no exterior trabalham hoje no Ceará.  “Querer dizer que esse debate pode significar uma queda de qualidade não é compatível ao que acontece em outros países do mundo. Se queremos oferecer saúde pública universal gratuita, temos que ampliar o patamar de médicos e aumentar vagas.” Dados da pasta indicam que, de 2003 a 2011, o país formou 93 mil médicos. No mesmo período, foram 146,8 mil admissões de primeiro emprego na medicina.

Médicos do Ceará

Pelos números divulgados sabe-se que a demanda é muito grande, e ao checar o número de médicos que se formam no Ceará, a situação não indica uma significativa melhora. Conforme informações colhidas junto as coordenações da Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Estadual do Ceará (UECE), Universidade de Fortaleza (Unifor), Universidade Christus (UniChristus) e a Faculdade de Medicina Estácio de Juazeiro (FMJ), a média anual fica entre 500 a 600 novos médicos no nosso estado. Lembrando que mesmo se formando aqui, não existe a garantia que o mesmo exercerá a medicina no Ceará.   A Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) foi contactada desde dessa manhã, mas ainda não houve retorno. Já a assessoria da Secretaria de Saúde do Município não sabe precisar exatamente a quantidade de médicos do município, nem  os que são contratados como terceirizados tampouco por concurso público.  O único número que a Prefeitura atesta é de que há 329 médicos trabalhando no Programa de Saúde da Família (PSF).

Médico de carreira

Na opinião do Dr. José Maria Pontes, presidente do Sindicato dos Médicos do Estado do Ceará (SIMEC), o problema não é a quantidade de escolas de medicina, nem o número médicos formados, tampouco o total de médicos em atividade no Estado do Ceará. O problema são as condições de trabalho, na verdade a falta delas, pois ele afirma que há poucos médicos que se submetem ao Sistema Único de Saúde(SUS).

“O grande problema é ter condições de pagar bem o profissional, de dar um vínculo e estabilidade, proporcionar ao médico uma carreira de trabalho, seja no Estado ou Prefeitura” afirma o médico. O presidente do SIMEC ressalta ainda que, muitas prefeituras do interior negociam contratos verbais, o salário não é bom, atrasam pagamento e não há condições nos postos de trabalho, portanto em várias ocasiões o médico vai embora. “Por isso é comum as migrações para as grandes capitais e centros privados”.  Já o primeiro secretário do Conselho de Medicina do Estado do Ceará (CREMEC), Dr. Dalgimar Bezerra afirma que hoje a situação não está fácil, tanto para médicos quanto para pacientes.

Especialidades

Dos 9.362 médicos no Ceará, 53,1% são especialistas, enquanto os outros 46,1% são generalistas. As cinco especialidades com mais profissionais no Ceará são dePediatria, com 712, Ginecologia e Obstetrícia, 575, Anestesiologia, com 437, Cirurgia Geral, 427, e Clínica Médica, com 349 médicos. As cinco especialidades com menos profissionais são Angiologia, com apenas cinco médicos, em seguida aparecem empatados a Nutrologia, a Medicina Física & Reabilitação, ambos com quatro, depois vem a Cirurgia de Mão, com escassos dois profissionais, e por fim a Genética Médica, com somente um médico especialista no Ceará.

Com informações da Agência Brasil

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