Deputados comentam fim da reeleição

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Parlamentares cearenses divergem sobre a proposta do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que visa acabar com a reeleição e ampliar para cinco anos o mandato dos candidatos a prefeito, governador e presidente da República, e avaliaram que as Casas não estão debatendo o assunto de forma “profunda” que poderá modificar a política brasileira.

Aécio Neves que ainda irá apresentar a proposta no Senado ressaltou que, antes de propô-la formalmente, será necessário primeiro “maturar a ideia”. A reeleição no Brasil entrou em vigência em 1998, após a aprovação da emenda no governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, que consegui emplacar a reeleição.

No Ceará, para muitos parlamentares acabar com a reeleição será uma forma dos políticos se dedicarem derradeiramente ao seu mandato do que se preocupar com a reeleição. Para o deputado estadual Leonardo Pinheiro (PSD), é o que acontece no Brasil.

“Acabar com a reeleição seria benéfico, porque a grande maioria dos prefeitos no seu primeiro ano de administração estão mais preocupados com a reeleição do que a questão política em administrar de forma competente e compromissada, fazendo com que traga melhorias para a população, como nas áreas da Educação, Saúde, Mobilidade Urbana e Segurança”, disse o socialista.

No que trata da ampliação do mandato de quatro para cinco anos, sinalizou que é preciso uma discussão aprofundada para que todos os pontos que serão votados “tragam benefícios” para a sociedade.

Engabelar
Já a deputada Dra. Silvana (PMDB) disse “não concordar” com o fim da reeleição e afirmou que  é uma tentativa de uma classe que quer “engabelar” a população, escondendo o jogo que trata da ampliação do mandato. “Aí eu digo que é para colocar o lixo debaixo do tapete. É tentar engabelar a população, que, na verdade,  a intenção é de aumentar o mantado”.
Para a peemedebista, o voto já é o instrumento que  mede se um político deve ou não ser reeleito. “Eu entendo que o voto diz tudo. Se não gostou é hora de sair, se gostou, permanece. Estão procurando inovar aonde não dá. Se a intenção é querer aumentar o mandato, então, deixe de forma bem clara”, ajuizou.

O deputado Sérgio Aguiar (PSB) ressaltou que caso a reforma seja aprovada, ela  deve passar a vigorar  daqui a duas eleições, haja vista que, quem está votando, vai estar pensando casuisticamente na sua situação momentânea.

“Sou contrário à reeleição, mas favorável que haja o mandato de quatro para cinco anos, tanto no Legislativo como no Executivo. Acho que seria uma boa saída para as administrações, onde não se poderia dizer que “é pouco tempo para se fazer, aí seria a metade de uma década., um bom tempo para poder  trabalhar”, defendeu.

Já o deputado Ely Aguiar acredita que não haverá uma Reforma profunda na política. “A Reforma Política está igual a um samba do crioulo doido. Ninguém chega a um consenso, eu tenho impressão que essa reforma é um faz de conta. Vão empurrar com a barriga e não vai ser votado aquilo que a população quer”, disse avaliando que , “as discussões são superficiais e é apenas uma tentativa de desviar o foco das atenções do que realmente é importante”.

Hegemonia
Na visão do doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), Josênio Parente, o que nós estamos assistindo, hoje, com algumas iniciativas de reforma política, faz parte do jogo das próximas eleições que começaram cedo demais.

“Cada um tem que se diferenciar. A iniciativa que está sendo do Aécio Neves (PSDB) é uma forma de mostrar que ele não tem o interesse de fazer um projeto que vai além dos mandatos eletivos, como tem acontecido com seus adversários”, afirmou, destacando que, “da mesma forma que a reforma política favorece a presença de partidos,  que era uma necessidade, está sendo feita no momento em que o debate eleitoral faz surgir partidos de oposição ao poder, de forma a fazer com que a reação da maioria é conservar essa hegemonia”.

Ainda de acordo com ele, as reformas que estão sendo realizadas, são necessidades da nova realidade política que é cada vez mais parte “do encontro do aparato liberal, democrático, que é o Judiciário e Legislativo” para com a população. (Rochana Lyvian, da Redação)

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