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Dilma diz que ‘verdade virá à tona’

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downloadBrasília. A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) voltou a afirmar que cabe ao Ministério Público e aos delatores provarem as acusações de seu suposto envolvimento nos desvios na Petrobras. Procurada, a assessoria de imprensa de Dilma divulgou nota em que afirma que “a presidenta está tranquila quanto à sua inocência”. A assessoria também disse “que não pesam sobre ela (Dilma) nada mais que acusações injustas e infundadas. A verdade virá à tona”, diz a nota.

 

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Ontem, durante reunião da oposição na casa da senadora Lídice da Mata (PSB­BA), a presidente afastada agradeceu e parabenizou aliados pela atuação no processo de impeachment. A conversa ocorreu no viva­voz, por meio do telefone da senadora Gleisi Hoffman (PT­PR), que ligou diretamente para a petista. Dilma está reunida com a senadora Kátia Abreu (PMDB­TO).

 

Dilma integrou o governo do PT desde o princípio. Em 2003 foi nomeada ministra de Minas e Energia, responsável pela Petrobras e pelas estatais do setor elétrico. Deixou o posto em meados de 2005 para substituir, à frente da Casa Civil, o ex­ministro José Dirceu, alvo do escândalo do mensalão. Dilma permaneceu na Casa Civil até 2010, quando foi escolhida por Lula para disputar a Presidência.

 

A presidente afastada é acusada por aliados de Lula de ter desestabilizado a base de apoio do governo ao insistir na substituição de Paulo Roberto Costa, ex­diretor de Abastecimento da Petrobras e indicado pelo PP, e de Renato Duque, ex­diretor de Serviços, que, segundo as investigações da Lava­Jato, representava o PT no esquema de propinas instalado na estatal.

 

Depois do início das investigações da Lava­Jato, o relacionamento entre Dilma e Lula, que já estava complicado, estremeceu ainda mais. Eles chegaram a ficar sem conversar e elegeram o ex­senador Delcídio Amaral como mensageiro para os recados trocados. Delcídio e Nestor Cerveró, ex­diretor da Petrobras, afirmaram em depoimento que Dilma, na condição de presidente do conselho da estatal, sabia detalhes sobre a negociação para a compra da refinaria de Pasadena que deu prejuízo à companhia.

 

Indicadores

 

Senadores da oposição estiveram reunidos na noite de ontem no apartamento funcional de Lidice Da Mata , para afinar a estratégia que vão adotar no interrogatório da presidente afastada. Antes das perguntas dos parlamentares, Dilma terá 30 minutos para fazer sua defesa.

 

Segundo oposicionistas, a presidente afastada deve aproveitar o momento para fazer uma retrospectiva e mostrar indicadores de sua gestão, falar sobre a ideia de um plebiscito para convocar novas eleições e também declarar que está em curso um golpe parlamentar.

 

Primeira a chegar para a reunião, Vanessa Grazziotin (PCdoB­AM) afirmou que estão no radar da oposição 13 senadores que poderiam mudar de ideia e apoiar Dilma. O senador Paulo Paim (PT­RS) admitiu que estão dialogando com pelo menos oito indecisos. Segundo Paim, Dilma mostrará indicadores dos 13 anos em que os petistas estiveram no poder e compará­los com gestões anteriores.

 

Para Lindbergh Farias (PT­RJ), a fala de Dilma será “contundente” e vai representar “o ponto da virada” no processo. Ele acredita que o discurso terá forte impacto na sociedade, o que deve repercutir no Senado. “A sessão vai ser muito tensa, é um momento muito dramático para o Brasil(…) As pessoas vão entender a Dilma como vítima de um golpe político”.

 

Lindbergh considera que o principal destaque do interrogatório será o “rali de perguntas dos senadores”, que terão cinco minutos cada para questionar Dilma. “Eu quero ver o que o Aécio Neves vai perguntar para ela”, provocou, citando a última disputa presidencial.

 

Praticamente “sumido” da fase de depoimento de testemunhas, o PMDB do Senado deve repetir a mesma estratégia e não fazer perguntas à petista. Pela lista com 47 inscritos até ontem para questioná­la, só seis são do partido, que é a maior bancada da Casa, 19 dos 81 senadores

 

O julgamento do impeachment despertou o interesse de três diretoras de cinema, que passaram a frequentar a Casa, e não passam despercebidas num batalhão de profissionais de mídia que se acotovelam nas galerias do plenário e nas entrevistas.

 

Indeciso

 

Ontem, Michel Temer recebeu no Palácio do Jaburu, pelo menos um senador que não quer declarar o seu voto nesta fase do processo: Roberto Rocha (PSB­MA). Rocha disse que a posição será tomada em bloco pelos três senadores do Maranhão.

 

Informações: Diário do Nordeste

 

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