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Escassez de insumos persiste no CE, e setor produtivo enfrenta dificuldades para atender à demanda

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Construção, confecções, indústria e mercado de veículos seminovos narram falta de itens básicos para o trabalho e apontam 2021 para atingir estabilidade

Com dificuldade para repor estoques diante da escassez de matéria-prima no mercado, alguns setores da indústria estão enfrentando problemas para atender à demanda, que vem crescendo desde a retomada das atividades econômicas, em junho. Inicialmente, a expectativa era que essa situação fosse normalizada até o fim deste ano, agora a previsão é que oferta de insumos volte ao normal no início de 2021, quando o consumo represado for estabilizado.

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Hoje, porém, os efeitos da falta de bens intermediários para alimentar a produção industrial já chegam à ponta final do consumo, com pressão nos preços. E entre os setores mais atingidos estão os de produtos de metal, máquinas e equipamentos, produtos de borracha e plástico e produtos químicos.

Lista de insumos básicos em falta

  • tijolo
  • cimento
  • aço
  • argamassa
  • material plástico
  • tecidos
  • botões
  • elásticos
  • aviamentos

Construção

O setor da construção civil, por exemplo, embora seja um dos que apresentam recuperação mais expressiva nos últimos meses, vem sofrendo com a alta do preço de insumos básicos como tijolo, cimento, aço e argamassa. “Tivemos um aumento exacerbado nos preços dos insumos, principalmente o tijolo, que aumentou quase 80%, enquanto o aço e o cimento estão com alta de cerca de 30%. Por outro lado, o PVC está em falta, com os produtores tendo dificuldades para obter a matéria-prima”, diz Patriolino Dias, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE).

O setor de construção, além de ser impulsionado pela queda das taxas de juros, que facilitou os financiamentos imobiliários, também foi alavancado pelos benefícios concedidos pelo Governo para amenizar os efeitos da quarentena.

“Com o auxílio emergencial, houve uma corrida para fazer pequenas obras, com pessoas fazendo um novo lavatório, uma reforma. Então são milhares de pequenas obras que têm um impacto muito grande, o que nos deixa preocupados”, diz. As indústrias do setor químico, farmacêutico e de cosméticos, estão sendo impactadas tanto pela escassez de matéria-prima como pela alta dos preços de resinas plásticas. Com o início da pandemia, os municípios foram obrigados a suspender a separação de lixo para a reciclagem por conta do risco de contaminação dos trabalhadores, reduzindo a oferta de insumos no mercado e provocando alta nos preços.

Segundo José Dias, industrial da área química e vice-presidente da Federação das Associações do Comércio, Indústria, Serviços e Agropecuária do Ceará (Facic), a interrupção da coleta afetou a oferta de material plástico, de papelão alumínio e aço.

“Mesmo após o fim da suspensão da coleta, muitos catadores pararam de apanhar material reciclável por conta da ajuda do Governo Federal, e o percentual de reciclagem, que é bastante significativo para a indústria, representando cerca de 80% desse material, caiu muito”, diz. José Dias afirma que os preços dos insumos tiveram uma alta de aproximadamente 20%, principalmente o papelão e resinas plásticas. “Os fabricantes estão programando seus pedidos para janeiro e fevereiro. O mercado está aquecido, mas a indústria não está conseguindo atender à demanda. E o varejo e o atacado têm dificuldade para repassar os preços para o consumidor final”. Dias projeta que a previsão é que o fornecimento seja normalizado a partir de janeiro.

Têxtil e confecção

Para o setor de confecção, um dos gargalos para atender à demanda é a redução das importações de tecidos, botões, elásticos e aviamentos em geral.

“Os estoques diminuíram e boa parte do que é produzido no Brasil vem da China, que reduziu muito a produção. A nossa preocupação hoje é ter um abastecimento mínimo para as vendas do fim do ano. As pessoas estão comprando muito, mas não estamos importando praticamente nada, então não estamos conseguindo repor os estoques”, diz Elano Guilherme, presidente do Sindicato da Indústria de Confecção do Ceará (Sindconfecções).

Com as restrições ao funcionamento da indústria no primeiro semestre, as exportações de redes pelo Ceará apresentaram uma queda de 20%, em relação ao primeiro semestre de 2019. No segundo semestre, com a reabertura da indústria, o setor também vem enfrentando dificuldades para atender à demanda.

Segundo Emílio Ramalho, diretor da Ramalho Têxtil e diretor do Sindicato das Indústrias de Redes do Estado do Ceará, com a alta demanda por redes e com o preço do algodão brasileiro mais competitivo no mercado internacional, o setor tem tido dificuldades para adquirir fio de algodão, principal insumo para as redes.

“O preço do algodão subiu, em média, 50%, com isso subiu o valor do fio, que utilizamos para fabricar as redes”, diz Ramalho. “As informações que nós temos é que a oferta começou a se estabilizar, mas a falta de insumos já impactou a nossa produção, que sofreu uma queda de 30% em agosto e setembro”.

Setor automotivo

Para o setor automotivo, a falta de insumos vem afetando o segmento. A redução dos estoques de novos veículos acabou pressionando a venda de seminovos.

“Há um desabastecimento de carro novo, com uma queda de 35% dos estoques. A expectativa é que isso se normalize no próximo ano, com a volta da produção”, diz Everton Fernandes, presidente do Sindicato dos Revendedores de Veículos Automotores do Ceará (Sindvel).

Diário do Nordeste

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