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Fortaleza tem a 2a cesta mais cara do NE

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O conjunto dos 12 produtos que compõem a cesta básica de Fortaleza registrou nova inflação de 3,7%, acompanhando a trajetória de altas seguidas desde o início do ano, como verificadas em janeiro (2,19%), fevereiro (7,22%) e março (1,34%). As informações são da Pesquisa Nacional da Cesta Básica (PNCB), divulgada, ontem, pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese-CE).

A alta nos preços dos produtos fez com que um trabalhador, para comprar os produtos, respeitadas as quantidades definidas para a composição da cesta, tivesse que desembolsar R$ 291,08, ou seja, R$ 10,39 a mais do que no mês de março, cujo valor acabou fechando em R$ 280,69.

Considerando o valor e, tomando como base o salário mínimo vigente no País (que é de R$ 678,00) – correspondente a uma jornada mensal de trabalho de 220 horas -, o trabalhador teve que desprender 94 horas e 27 minutos dessa jornada para essa finalidade. O gasto com alimentação de uma família padrão (dois adultos e duas crianças) foi de R$ 873,24, isto é, R$ 31,17 a mais do que os R$ 842,07 de março.

VARIAÇÕES
A pesquisa mostra, também, que a alta no preço final foi influenciada pela elevação de sete itens: banana (12,12%), tomate (11,79%), feijão (5,6%), leite (2,79%), e pão (1,78%). No período, cinco itens apresentaram redução, como o arroz (-3,77%), o óleo de soja (-2,83%), a farinha (-1,73%), a carne (-0,56%) e o açúcar (-0,52%).

Quanto às variações semestral e anual, a cesta básica variou em 14,1% e 32,99%, respectivamente. Segundo o levantamento, a alimentação básica, em abril, está mais cara do que em outubro de 2012 (R$ 255,11) e abril de 2012 (R$ 218,87). No período, Fortaleza registrou a quinta maior elevação entre as 18 capitais pesquisadas. O valor da cesta na Capital cearense figura, novamente, como a segunda mais cara do Nordeste, perdendo apenas para Recife (R$ 298,35) e, nacionalmente, está na 12a colocação entre as mais caras.

No semestre, dos produtos que compõem a cesta básica, os que sofreram maior elevação nos preços foram a farinha (83,81%), a banana (43,41%), o feijão (32,83) e o tomate (27,45%). Os produtos que tiveram redução, no período analisado, foram óleo (-6,03%), açúcar (-3,5%), carne (-2,13%) e arroz (-2,09%). Na série de 12 meses, os que registraram maior elevação nos preços, foram: tomate (169,23%), farinha (156,78%), banana (89,68%) e arroz (25,11%). E redução, no período analisado, apenas o açúcar, com -2,53%, e a carne, com -0,56%, segundo a pesquisa.

ANÁLISE
Ao fazer uma avaliação do comportamento dos preços, a economista do Dieese-CE, Elizama Paiva, ressalta que a alta nos preços ainda está relacionada à estiagem, principalmente, quanto ao tomate.

Segundo ela, apesar de ter chegado uma grande quantidade de tomate de Goiás, esta  não foi suficiente para baixar o preço. “Segundo os dados da Safra Verão 2012/2013, houve uma redução na área de cultivo e na quantidade plantada de tomate. Por isso, essa elevação no preço”, justificou. Ela explica que a redução de 5,35% desse item, no mês de março, deveu-se ao estoque vindo de Goiás, “embora não conseguisse segurar a queda, em abril”, ressaltou.

Ela avalia que a quantidade de chuvas no Ceará ainda não foi suficiente para equilibrar a produção. Ao falar se as desonerações praticadas pelo Governo Federal, nos itens da cesta básica, têm surtido o efeito esperado, ela reforça que tais medidas apenas contiveram um maior aumento no valor final.

“Na realidade, na cesta básica de Fortaleza, segundo os cálculos, era para ter uma retração de cerca de 9%. Mas, como a gente vem sofrendo os efeitos da seca, essa desoneração conseguiu barrar um pouco o aumento dos preços”, salientou a economista.

http://www.oestadoce.com.br

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