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PF cumpre mandado na casa de secretário da CGU em operação sobre desvio de verbas

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A Polícia Federal prendeu 18 pessoas suspeitas de participação num esquema de desvio R$ 6,6 milhões do setor de ensino à distância do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Paraná (IFPR), resultado da Operação Sinapse, deflagrada nesta quinta-feira. A PF cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do secretário de Prevenção da Corrupção da Controladoria Geral da União (CGU), Sérgio Nogueira Seabra, suspeito de vazamento de informações privilegiadas aos investigados presos.

Para o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, a suspeita do delegado responsável pelas investigações não passou de um equívoco. Segundo Hage, o secretário, quando ainda ocupava o cargo de assessor de controle interno do Ministério da Educação (MEC), apenas cumpria a função de monitorar a auditoria em curso no IFPR.

 A Operação Sinapse foi uma parceria entre a PF e a CGU. Diante das suspeitas que recaem sobre o secretário de Prevenção da Corrupção, o ministro-chefe da CGU se reuniu com o diretor geral da PF, Leandro Daiello, para analisar as provas produzidas na investigação. Hage diz ter lido a decisão judicial que determinou a busca e apreensão e ter tido acesso às conversas telefônicas usadas pela PF para suspeitar do secretário. O ministro afirma não ter enxergado evidências de vazamento de informações. O diretor geral da PF, por sua vez, não falou em equívoco com o ministro.

— Ele continua no cargo com minha total confiança. Diante de todos os elementos, estou convencido de que houve um equívoco – afirmou Hage.

O ministro acredita que todos os dados produzidos na investigação da PF foram compartilhados com a CGU, uma vez que a Operação Sinapse foi uma ação conjunta. O compartilhamento ocorreu por meio de determinação judicial, segundo Hage.

Seabra é analista de finanças e controle da CGU, servidor de carreira. Em 2011, começou a exercer a função de assessor de controle interno do MEC, período em que surgiu a suspeita de vazamento de dados da investigação da PF. Neste ano, Hage convidou o analista para ser secretário de Prevenção da Corrupção da CGU, cargo que começou a desempenhar em fevereiro.

A suspeita surgiu, segundo o ministro, a partir de ligações do então assessor de controle interno do MEC para a unidade regional da CGU no Paraná. Em uma das ligações, ele teria sido informado sobre a entrada da PF nas investigações sobre os desvios de R$ 6,6 milhões do IFPR. Segundo Hage, o delegado entendeu que a ligação tinha o objetivo de coletar uma informação para que fosse vazada posteriormente.

– Era papel dele acompanhar todas as auditorias sobre os órgãos do MEC. É normal ligar para as unidades regionais da CGU – disse o ministro, que completa: – Foi o próprio Sérgio que pediu a auditoria no IFPR.

Cerca de 200 policiais da PF participam da operação, em Curitiba e Cascavel, no oeste do Paraná, e em São Carlos e Sorocaba, em São Paulo. Segundo a PF, o grupo, investigado desde o ano passado, atuava por meio de termos de parcerias entre o IFPR e duas Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs). Eles também são suspeitos de superfaturar projetos para cursos à distância e de aprovar, de maneira fraudulenta, integrantes da quadrilha em concursos públicos. A investigação aponta ainda que a quadrilha falsificava contratos e prestações de contas, e pagava propina a funcionários da autarquia federal e integrantes das OSCIPs.

Três servidores foram afastados do Instituto. Entre os crimes cometidos, de acordo com a polícia, estão formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, estelionato e crimes da lei de licitações.

Além dos 18 mandados de prisão, a Operação Sinapse está cumprindo 43 mandados de busca e apreensão. Foram apreendidos documentos, computadores e 24 carros, entre os quais, veículos de luxo, em valor estimado em R$ 720 mil.

— Nós identificamos que o IFPR, entre 2009 e 2011, firmou termos de parceria com duas organizações da sociedade civil de interesse público. Por meio desses termos de parceria, eram desviados recursos por meio de inúmeras práticas criminosas — explicou o delegado Felipe Hayashi, em entrevista à RPCTV, afiliada da rede Globo no Paraná.

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