União, Estado e Município lançam ao menos 20 medidas para aliviar pressão sobre a renda na pandemia

Impacto
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Para economistas, iniciativas são necessárias, mas paliativas para o momento de crise. Falta de coordenação entre instâncias do Governo é obstáculo

Os fortalezenses podem contar com pelo menos 20 medidas de alívio financeiro propostas pela Prefeitura, Estado e União, a maioria direcionada a segmentos mais vulneráveis da população. As iniciativas atingem diretamente trabalhadores informais, formais, desempregados, autônomos e microempreendedores individuais, além de microempresas e famílias em situação de vulnerabilidade.

Mesmo assim, as medidas econômicas adotadas pelo poder público ainda não são suficientes para conter a crise econômica provocada pelo novo coronavírus. É o que apontam economistas consultados pela reportagem, que disseram ainda faltar coordenação entre as instâncias para dar mais agilidade e eficácia à aplicação dos recursos.

Para Almir Bittencourt, professor do Departamento de Economia Aplicada da Universidade Federal do Ceará (UFC), as medidas são insuficientes para o momento. “Elas são um paliativo para a situação de emergência, não são suficientes porque a demanda por recursos é muito mais elevada do que isso. A economia está paralisada, com o desemprego nas alturas, famílias e estados endividados. As medidas são necessárias e urgentes, mas não conseguem manter um padrão considerado possível para manter a economia e a sociedade funcionando normalmente”, avalia.

Ele avalia que o conjunto de iniciativas está sendo adotado de forma desarticulada e sem diálogos entre os governos. “Não há um procedimento articulado para que eles (governos) possam trabalhar em conjunto para alcançar um objetivo maior. As medidas parece que foram tomadas um pouco tardiamente, alguns estados demoraram mais, o Governo Federal demorou muito e o Congresso agora que está aprovando algumas”.

Falta diálogo

A falta de um direcionamento coordenado também é apontado por Erle Mesquita, analista de Mercado de Trabalho do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT). “Uma das alternativas que está faltando de mais imediato é ter realmente um diálogo social entre trabalhadores, governos e empresários. Você tem, de certa forma, políticas de renda mínima, de relaxamento de política fiscal, de controle da política monetária, mas está faltando um diálogo coordenado para a retomada do crescimento”, destaca.

Ele lembra que o Ceará tem atualmente 1,2 milhão de trabalhadores subocupados (que trabalham menos de 40 horas semanais e disponibilidade para trabalhar mais) e uma taxa de desemprego preocupante. “Cerca de 36% dos desempregados já estavam há mais de um ano à procura de trabalho. É muito grave, e com a Covid-19, vamos ter um agravamento disso se não houver esse diálogo mais aprofundado”, diz.

O coordenador explica ainda que o alinhamento de políticas públicas entre as diferentes instâncias é importante para tornar o horizonte da recuperação econômica mais factível. “É necessário ter esse diálogo de maior entendimento até para saber quando pode ter liberação das atividades econômicas. Tem de haver estratégias e medidas compensatórias para os setores. Você vai ter uma série de repercussão de médio e longo prazos que, se não houver o diálogo, vai resultar em uma retomada mais lenta”.

Alcance

Para o professor da UFC, ainda é preciso aumentar o raio de abrangência das medidas econômicas. “As pessoas mais necessitadas têm de ser alcançadas com todas essas medidas. O desemprego elevado vai aumentar ainda mais a pobreza da população. Com a expectativa de queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 5% neste ano, segundo o Banco Mundial, isso vai levar também a uma queda na renda per capita da população, de modo que não podem ocorrer desvios do objetivo principal, que é ajudar essas pessoas”.

Bittencourt diz ainda que não vê por parte das autoridades direcionamento para sair da crise. “Há uma ausência de planejamento para que a gente saia da crise. Nos temos que olhar para o futuro. Como vamos voltar o funcionamento de modo normal? Como isso vai ser feito? Não vejo essa discussão”, questiona.

Confira a lista:

att

DN

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